Neste blog eu pretendo publicar ensaios, poesia, textos, pastiche, garatuja e outras coisas.
segunda-feira, 7 de março de 2016
SOBRE O HABITAR-SE
Refletindo sobre as
impressões que esta linguagem me causou, pude perceber que se trata, em meu
ver, de uma possível reflexão sobre o habitar-se, o que seja, o habitus de ser a si mesmo, o que
poderíamos chamar de uma estagio entre o em-si e o para-si, não como algum tipo
de essência, mas num sentido dialógico, possível apenas por meio da
diferenciação entre o que o benjamim chamou de corpo vivo e o corpo cadáver .
Esta diferença já suscita uma compreensão ou ainda uma percepção de que há uma
cisão básica, e característica da condição humana, instaurada entre o eu do
sujeito e a sua materialização consciente, que para Agambem se dará por meio do
enunciado do Eu, seja por meio da escrita ou da fala. Em havendo esta divisão
posta ai sob o olhar de uma ontologia materialista do trabalho, diga-se aquilo
que eu faço é propriamente o que eu sou
e constantemente me torno.
Disso é patente que o
personagem posto numa espécie de hiato de si mesmo em relação aos aspectos
relativos ao corpo que foi transmudado de masculino em feminino construiu para
si por meio das estruturas da foraclusão
uma negação de si mesmo que se contradiz mas não se contraria, de forma que
pode transitar pelo habito, nesse caso um processo contate de escolha, sendo
sempre consciente parcialmente de que continua sendo quem é por meio daquilo
que nega ser pela simples observação de novas praticas de ser a si mesmo,
aqueles hábitos que também são como em Lacan a negatividade mantida
constantemente para a realização do
real.
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