terça-feira, 22 de agosto de 2017

sobre escrever


[...]cada vez mais as exigências estão se reduzindo[...](DAITX, 2017,)

Quanto a questão da escrita, se por um lado podemos hoje, mais do que em qualquer outra época da história, ter algum razoável acesso aos meios necessário para a produção de um texto, por outro igualmente é este o ponto em que a humanidade poderia facilmente marcar no tempo a sua débâcle derradeira.
A realização do desiderato moderno de formar sujeitos capazes para a utilização da língua em seu pleno desenvolvimento, dando conta do aparato de sua operação, custou-nos, e talvez ainda continue custando, um imenso esforço de manutenção e estruturação das condições necessária ao aparecimento do fenômeno da civilização. Parece a alguns economistas e sociólogos que há uma evidencia clara e mais ou menos auto-explicativa em relação a isso, ou seja de que o capitalismo global e sistematizado vem-se perscrutando no gênero humano enquanto serve de suporte para sua constituição. No entanto para alem disso a produção dita acadêmica sofre se não mais tanto quanto a literatura em geral em sua condição de meio, quero dizer, ninguém ou pouquíssimos estudiosos consideram a possibilidade de que a própria escrita seja o seu fim, de que ele possa estabelecer-se como um cainho para o exercício das habilidades, competências, capacidades, objetividades, comunicações e ou seja la o que elas se pretenderem, mas que também se construam enquanto um lócus própria a colaboração na produção do conhecimento, tácito é claro, daqueles tais membros pares cegos da comunidade acadêmica.
Portanto a questão da possibilidade de um “paper” ter alguma validade ou cientificidade, de carregar consigo de um autor alguma dimensão e de uma serie de fontes outros tanto elementos constitutivos, e de este produto alcançar algum grau de clareza ou de solidez conteudal fica numa espécie de impasse, numa encruzilhada, no sentido de Baudelaire e de Breton, se contextualiza e se reconhece a partir de sua própria deslocalidade, ou seja não há necessariamente uma preocupação com o que tange a sua própria natureza.
 Talvez as implicações econômicas do neoliberalismo grassante no mundo acadêmico esteja por traz da canalha que tem se tornado a produção acadêmica, e com suas novíssimas e sempre mais bem arranjadas estratégias de melhoramento e promoção da realização do pleno potencial comunicativo dos meios científicos e sua inquestionável qualidade total e comunicabilidade precisa, de cuja exatidão, clareza, profundidade, utilidade, e ou mérito poder-se-ia pelo menos duvidar.
Quem sabe as transformações e as reconverções culturais dinâmicas e fluidas do contexto social de livre transição e os ambientes de favorável  apoio e suporte a educação e cultura, que brindam nossa civilização ocidental com uma inigualável homogeneidade apedeutica, estejam na base do empobrecimento e do dilaceramento do que um dia pretendemos ser.


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