[...]cada vez mais as
exigências estão se reduzindo[...](DAITX, 2017,)
Quanto a questão da escrita,
se por um lado podemos hoje, mais do que em qualquer outra época da história,
ter algum razoável acesso aos meios necessário para a produção de um texto, por
outro igualmente é este o ponto em que a humanidade poderia facilmente marcar
no tempo a sua débâcle derradeira.
A realização do desiderato
moderno de formar sujeitos capazes para a utilização da língua em seu pleno
desenvolvimento, dando conta do aparato de sua operação, custou-nos, e talvez
ainda continue custando, um imenso esforço de manutenção e estruturação das
condições necessária ao aparecimento do fenômeno da civilização. Parece a
alguns economistas e sociólogos que há uma evidencia clara e mais ou menos auto-explicativa
em relação a isso, ou seja de que o capitalismo global e sistematizado vem-se
perscrutando no gênero humano enquanto serve de suporte para sua constituição.
No entanto para alem disso a produção dita acadêmica sofre se não mais tanto
quanto a literatura em geral em sua condição de meio, quero dizer, ninguém ou
pouquíssimos estudiosos consideram a possibilidade de que a própria escrita
seja o seu fim, de que ele possa estabelecer-se como um cainho para o exercício
das habilidades, competências, capacidades, objetividades, comunicações e ou
seja la o que elas se pretenderem, mas que também se construam enquanto um
lócus própria a colaboração na produção do conhecimento, tácito é claro,
daqueles tais membros pares cegos da comunidade acadêmica.
Portanto a questão da
possibilidade de um “paper” ter alguma validade ou cientificidade, de carregar
consigo de um autor alguma dimensão e de uma serie de fontes outros tanto
elementos constitutivos, e de este produto alcançar algum grau de clareza ou de
solidez conteudal fica numa espécie de impasse, numa encruzilhada, no sentido
de Baudelaire e de Breton, se contextualiza e se reconhece a partir de sua
própria deslocalidade, ou seja não há necessariamente uma preocupação com o que
tange a sua própria natureza.
Talvez as implicações econômicas do
neoliberalismo grassante no mundo acadêmico esteja por traz da canalha que tem
se tornado a produção acadêmica, e com suas novíssimas e sempre mais bem
arranjadas estratégias de melhoramento e promoção da realização do pleno
potencial comunicativo dos meios científicos e sua inquestionável qualidade
total e comunicabilidade precisa, de cuja exatidão, clareza, profundidade,
utilidade, e ou mérito poder-se-ia pelo menos duvidar.
Quem sabe as transformações
e as reconverções culturais dinâmicas e fluidas do contexto social de livre
transição e os ambientes de favorável apoio e suporte a educação e cultura, que
brindam nossa civilização ocidental com uma inigualável homogeneidade
apedeutica, estejam na base do empobrecimento e do dilaceramento do que um dia
pretendemos ser.